terça-feira, 27 de março de 2012

Pessoa

"Perder tempo comporta uma estética. Há, para os subtis nas sensações, um formulário da inércia que inclui receitas para todas as formas de lucidez. A estratégia com que se luta com a noção das conveniências sociais, com os impulsos dos instintos, com as solicitações do sentimento exige um estudo que qualquer mero esteta não suporta fazer. A uma acurada etiologia dos escrúpolos deve seguir-se uma diagnose irónica das subserviências à normalidade. Há a cultivar, também, a agilidade contra as instruções da vida; um cuidado deve couraçar-nos contra sentir as opiniões alheias, e uma mole indiferença encamar-nos a alma contra os golpes surdos da coexistência com os outros."

Chuva, frio, melancolia

Faz frio, e o frio, parece, é um companheiro próximo da melancolia, famosa amante dos poetas e dos sonhadores, se é que um não é sinônimo do outro...
Nada melhor do que uma música melodica, frio e melancolia para acalentar o mais duro dos corações, o mais sofrido dos corações, é um aconchego tão profundo que chega a doer e é essa mesma dor que nos arrasta pra frente, que nos mantem vivos, que nos mantem criativos...
A criatividade é o único remédio para a solidão e para a existência...
As vezes a existência humana é pesada demais e ao homem cabe o desafio diário de leva-la nas costas todos os dias...
Quando esse sentimento te arrebata é tão sufocante que fica difícil até de respirar, a dor da existência, a pior de todas as dores...
A vida, como pode ser tão linda e tão banal a um só tempo, como pode ser tanto contentamento e tanta tristeza...
O maior castigo de todos nos foi reservado quando abrimos os olhos nesse mundo, a maior dor, o maior desgosto, viver sem saber porquê, sem saber pra quê...
Viver, viver, que segredo profundo se esconde por trás desse verbo? Que magia infinita existe por trás de tão sigilo nome?
Os espíritos mais profundos o sente da maneira mais sagrada e mais sofrida também, é como está no alto e rir da desgraça, rir da tragédia, da miséria, da pobreza, da falta, do excesso, rir e chorar...
O momento sublime no qual o homem transcende a sua existência e cria, cria algo que possa rir e que possa chorar, esse momento tão caro, tão raro é um sopro de felicidade, é um presente da vida, é um acalento...
É um afago, para que se possa continuar caminhando, para que se possa ir em frente, para quê?, quem sabe, quem poderá saber...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O ANALFABETO POLITICO

É difícil saber qual a raiz desse mal. Qual será a razão pela falta de interesse das pessoas em discutir política? Talvez seja porque elas não têm consciência que é essa política que elas tanto se orgulham em dizer que odeiam que é responsável pelos buracos que são tão incômodos das estradas, pelo atendimento precário nos hospitais, enfim, é responsável por todos os problemas sociais que estão diretamente ligados a todos nós. É fácil também colocar a culpa de todos esses problemas nos políticos, mas a culpa maior não é deles e sim nossa que os colocamos lá.

O povo por não saber votar, ser tão atrasado politicamente e não ter consciência da responsabilidade que tem o seu voto, coloca no poder pessoas que não têm condições nenhuma de governar e por poucas coisas como: troca de favores, por amizade, ou coisas mais supérfluas (dentaduras, areia, etc...). Assim não se informam de seus projetos, de suas intenções e vendem seus votos por qualquer coisa pensando que isso não vai lhe trazer nenhum malefício, mas que ao contrario, pensa que o político está sendo bom para com ele. O que não sabem é que do seu voto depende todo o futuro do país, do estado, ou da cidade do mesmo, pois o voto é nossa maior arma e por meio dele podemos mudar o rumo de todas as coisas.

Com essa falta de senso político por parte da população, os políticos se aproveitam e fazem o que querem com a massa popular, e essa sem saber é completamente dominada e sem ter noção que os políticos são nossos empregados se submetem a eles e não cobram seus direitos. Assim continuamos na mesmice, com crianças e mais crianças indo pro mundo do crime por falta de recursos financeiros e de oportunidades, mulheres têm que vender seus corpos por falta de emprego, a saúde vai de mal a pior, pois são centenas de pessoas nas filas dos hospitais esperando por atendimento e morrendo em decorrência da falta deste, etc, etc... mas todos acham que isso não é politica e continuam a odiando.

A solução para esse problema seria uma reeducação politica, um programa de conscientização nas escolas, pois as crianças são o futuro do nosso país e se elas forem bem educadas e politizadas o nosso futuro pode vir a ser menos amargo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

O regresso

"Ó! soledade! Pátria minha! Vivi muito tempo selvagem em selvagens paises estranhos para não regressar a ti sem lágrimas!
Ameaça-me agora com o dedo, como uma mãe, sorri-me como sorri uma mãe, e diz somente: “Quem foi que em tempos fugiu do meu lado como um torvelinho? Aquele que ao retirar-se exclamou: Demasiado tempo fiz companhia à soledade; esqueci então o silêncio? Foi isso sem dúvida, o que ora aprendeste?
Ó! Zaratustra! sei tudo! e sei que tu, irmão, te sentias mais abandonado entre a multidão do que jamais estiveste comigo.
Uma coisa é o abandono, e outra a soledade; eis o que aprendeste agora! Que entre os homens serás sempre selvagem e estranho mesmo que te amem; porque, primeiro que tudo querem que se lhes guarde consideração.
Aqui, porém, estás na tua pátria e na tua casa; podes aqui dizer tudo e espraiar-te completamente: aqui ninguém se envergonha de sentimentos ocultos e tenazes.
Aqui todas as coisas se aproximam da tua palavra com carícias e te animam: porque te querem subir ao ombro. Montado em todos os símbolos, cavalgas aqui para todas as verdades.
Aqui podes falar a todas as coisas com retidão e franqueza, e, na verdade, tudo o que se lhes fale com retidão lhes soa como um elogio.
O abandono é muito diferente. Recordas-te, Zaratustra? quando a tua ave se pôs a gritar por cima de ti, estando tu no bosque, indeciso, sem saber para onde ir, ao lado de um cadáver, quando dizias: “Guiem-me os meus animais! Encontrei mais perigo entre os homens do que entre os animais”. Aquilo era abandono.
E lembras-te, Zaratustra? Quando estavas sentado na tua ilha, fonte de vinho entre baldes vazios, dando de beber constantemente aos sequiosos, até que afinal foste o único sequioso entre bêbados, e dizias de noite lastimando-te: “Não será maior gozo aceitar do que dar? E não será gozo ainda maior roubar que aceitar?” Aquilo era abandono!
E recordas-te, Zaratustra? Quando chegou a tua hora mais silenciosa e te pôs fora de ti: quando te segredou maliciosamente: “Fala e sucumbe!” Quando te desgostou da tua espera e do teu silêncio, e abateu o teu decaído ânimo? Aquilo era abandono!”
Ó! soledade! Pátria minha! Como a tua voz me fala celestial e afetuosamente!
Nós não nos interrogamos, não nos queixamos um ao outro: francamente passamos juntos pelas portas francas.
Que em ti está franco e iluminado, e as próprias horas deslizam aqui mais ligeiras, pois na obscuridade o tempo nos parece mais pesado do que à luz.
Aqui se me revela a essência e a expressão de todas as coisas: tudo o que existe se quer exprimir aqui, e tudo o que está em via de existir quer aprender a falar de mim.
Além todo o discurso é vão! A melhor sabedoria é esquecer e passar: foi isto o que aprendeste agora.
O que quisesse compreender tudo entre os homens, teria que aprender tudo: mas, para isso, tenho eu as mãos limpas demais.
A mim já me não agrada respirar o seu hálito. Ai! ter eu vivido tanto tempo entre o seu ruído e o seu mau hálito.
Ó! bendita soledade! Ó! puros aromas! Como este silêncio aspira o ar puro a plenos pulmões! Como este bendito silêncio escuta!
Em troca, além tudo fala e nada se ouve. Embora uma pessoa anuncie o seu saber a toques de campainha, os merceeiros abafarão o som na praça pública com o ruído das suas moedas.
Entre eles tudo fala: já ninguém sabe compreender. Tudo cai à água; nada cai em fontes profundas.
Entre eles tudo fala; já nada se consegue nem conclui.
Tudo cacareja; mas, quem é que quer ficar ainda no ninho a chocar ovos?
Entre eles tudo fala, tudo se dilui. E o que ontem era ainda demasiado duro para o próprio tempo e para os seus dentes, hoje pende, despegado e roído, da boca dos homens atuais.
Entre eles tudo fala, tudo se divulga. E o que antigamente se chamava mistério e segredo das almas profundas, pertence hoje às tormentas do arroio.
Ó! singular natureza humana! Bulício em ruas escuras. Agora ficas atrás de mim: o meu maior perigo fica atrás!
As contemplações e a compaixão foram sempre o meu maior risco, e todos os seres humanos querem ser contemplados e socorridos.
Com verdades dissimuladas, com as mãos loucas e enlouquecido coração, rico em piedosas mentiras; assim vivi sempre entre os homens.
Eu estava entre eles disfarçado, disposto a desconhecer-me para os suportar, comprazendo-me em dizer para me convencer: “Louco, não conheces os homens!”
Esquece-se o que os homens são quando se vive com eles. Há demasiadas afinidades em todos os homens.
E se eles me desconheciam, eu, louco, olhava-os ainda com mais indulgência do que a mim — pois estava acostumado a ser rigoroso para mim mesmo — e freqüentes vezes me vingava em mim dessa indulgência.
Picado de moscas venenosas e roído como pedras pelas numerosas gotas de maldade, assim estava eu entre eles, e ainda dizia comigo: “Tudo quanto há de pequeno é inocente da sua pequenez!”
Especialmente os chamados “bons” foram os que me pareceram as moscas mais venenosas: picam com toda a inocência; mentem com toda inocência. Como poderiam ser justos comigo?!
A piedade ensina a mentir aos que vivem entre os homens. A piedade torna a atmosfera carregada para todas as almas livres. Que a estupidez dos bons é insondável.
Ocultar-me a mim mesmo é minha riqueza: eis o que lá aprendi — porque todos se me mostram pobres de espírito.
A mentira da minha compaixão, foi olhar e sentir em cada um o que para ele era bastante espírito e o que era espírito demais.
Aos seus rígidos sábios chamei sábios, mas não rígidos — aprendi assim a comer palavras. — Aos seus coveiros chamei investigadores e escrutadores — aprendi assim a trocar palavras.
Os coveiros colhem enfermidades à força de cavar sepulturas. Sob velhos escombros dormem exalações insalubres.
Não é necessário remover os atoleiros; basta viver nos montes.
Com o nariz satisfeito respiro outra vez a liberdade dos montes! Afinal libertou-se o meu nariz do cheiro de todos os seres humanos!
Cocegada pelo ar vivo como por vinhos espumantes, a minha alma buliçosa exclama contente: “À tua saúde!” "


Assim falava Zaratustra - Nietzsche

sábado, 26 de janeiro de 2008

Dos virtuosos!

“A força de tronos e de fogos de artifício celestes, é preciso falar aos sentidos frouxos e adormecidos.
A voz da beleza, porém, fala baixo: só se insinua nas almas mais despertas.
Hoje o meu escudo riu-se e estremeceu brandamente: era o estremecimento e o riso sagrado da beleza!
De vós, ó! virtuosos, se ria a minha beleza. E a sua voz chegava assim até mim: “Ainda querem ser pagos”.
Virtuosos, ainda quereis ser pagos? Quereis recompensa por vossa virtude, e o céu em vez da terra e a eternidade em vez do vosso hoje?
E antipatizais comigo porque ensino que não há remunerador nem pregador? E na verdade, nem sequer ensino que a virtude seja recompensa de si própria.
Ah! É essa a minha pena! Introduziu-se astutamente a recompensa e o castigo no fundo das coisas e até no fundo das vossas almas, virtuosos!
A minha palavra, porém, semelhante ao colmilho do javali, deve dilacerar o fundo de vossas almas e eu quero ser para vós relha de arado.
Saiam à luz todos os segredos do vosso íntimo, e quando os virdes expostos ao sol, rasgados e despedaçados, então ficará a vossa mentira também separada da vossa verdade.
Porque esta é a vossa verdade: sois demasiado limpos para a mancha da palavra vingança, castigo, recompesa, represálias.
Amais a vossa virtude como a mãe ama o filho, e quando se ouviu dizer que uma mãe quisesse ser paga do seu amor?
A vossa virtude é o melhor de vós mesmos. Tendes desejo do anel que se retorce para tornar sobre si.
E toda a obra da vossa virtude é como estrela que se apaga: a sua luz caminha ainda e continua viajando. Quando deixará de caminhar?
Assim a luz da vossa virtude caminha ainda, mesmo depois da obra cumprida. Fique, pois, esquecida e morta: o seu raio de luz prossegue a sua viagem.
Seja a vossa virtude o vosso próprio ser, e não qualquer coisa estranha, uma epiderme, uma capa: eis a verdade do fundo da vossa alma, ó! virtuosos!
Mas há também alguns para quem a virtude é um espasmo produzido pelas disciplinas, e vós ouvistes de sobra os gritos desses!
E há outros que chamam virtude à preguiça do seu vício; e quando alguma vez desprezam o seu ódio e a sua inveja, a sua “justiça” desperta e esfrega os olhos sonolentos.
E há outros que se vêm arrastados para baixo; tiram de si mesmos os seus demônios; mas quanto mais se fundem, mais os olhos se lhes incendeiam e mais cobiçam o seu Deus.
Ai! Também o grito destes chegou aos vossos virtuosos ouvidos: “O que eu não sou é isso que é para mim Deus e a virtude”.
E há outros que andam pesadamente, chiando como carros transportando pedra ladeira abaixo: falam muito de dignidade e de virtude: chamam virtude ao seu freio.
E há outros que parecem relógios a que se dá corda; produzem o seu tique-taque e querem que esse tique-taque se chame virtude.
Na verdade, estes divertem-me: onde quer que encontre tais relógios dar-lhes-ei corda com a minha ironia, e não terão outro remédio senão pôr-se a andar.
E outros orgulham-se do seu punhado de justiça, e em nome disso atropelam tudo, de modo que o mundo se afoga na sua injustiça.
Que náuseas, quando lhes sai da boca a palavra virtude! E quando dizem: “Sou justo”, é num tom em que se percebe: “Estou vingado!”
Querem despojar os seus inimigos com a sua virtude, e só se elevam para rebaixar os outros.
E há outros ainda que apodrecem no seu pântano e que falam por entre o caniçado: “Virtude é estar quieto no pântano.
Não mordemos a ninguém e afastamo-nos daquele que quer morder; e em todas as coisas somos da opinião que se nos dá.”
E há ainda outros que gostam da mímica, e pensam: “A virtude é uma espécie de mímica”.
Os seus joelhos estão sempre em adoração, e as suas mãos juntam-se em louvor à virtude; mas o coração está alheio a tudo isso.
E há outros que julgam que é virtuoso dizer: “A virtude é necessária”; mas no fundo só crêm numa coisa.
E alguns, que não sabem ver quanto de elevado há no homem, falam de virtude quando vêm perto demais a sua baixeza: deste modo chamam “virtude” aos seus maus olhos.
Uns querem ser elevados e nomeados, e chamam a isso virtude; os outros querem ser derribados... e também chamam a isso virtude.
E assim quase todos julgam ter alguma parte na virtude; e todos querem, pelo menos, ser inteligentes em questão de “bem” e de “mal”.
Zaratustra, porém, chegou, para dizer a todos esses embusteiros e insensatos: “Quem sabeis vós da virtude? Que podereis saber da virtude?”
Vim aqui, meus amigos, para que vos canseis das alheias palavras que tereis aprendido dos embusteiros e dos insensatos.
Para que vos canseis das palavras “recompensa”, “represálias”, “castigo”, “vingança na justiça”.
Para que vos canseis de dizer que “uma ação é boa porque é desinteressada”.
Ai, meus amigos! Esteja o vosso próprio ser na ação como a mãe no filho; seja esta a vossa palavra de virtude!
Verdadeiramente, eu tirei-vos com palavras os mais caros brinquedos da vossa virtude; e agora fazeis “beicinho” como as crianças.
Brincavam à beira-mar e veio a onda e levou-lhes os brinquedos para as profundezas. Agora choram.
A mesma onda, porém, lhes trará novos brinquedos e espalhará aos pés deles novas conchas coloridas.
Assim se consolarão, e vós também, meus amigos, tereis como eles vossos consolos e novas conchas coloridas”.

Assim falava Zaratustra - Nietzsche

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ler e escrever.

“De todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue. Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.
Não é fácil compreender sangue alheio: eu detesto todos os ociosos que lêm.
O que conhece o leitor já nada faz pelo leitor. Um século de leitores, e o próprio espírito terá mau cheiro.
Ter toda a gente o direito de aprender a ler é coisa que estropia, não só a letra mas o pensamento.
Noutro tempo o espírito era Deus; depois fez-se homem; agora fez-se populaça.
O que escreve em máximas e com sangue não quer ser lido, mas decorado. Nas montanhas, o caminho mais curto é o que medeia de cimo a cimo; mas para isso é preciso ter pernas altas. Os aforismos devem ser cumieiras, e aqueles a quem se fala devem ser homens altos e robustos.
O ar leve e puro, o próximo perigo e o espírito cheio de uma alegre malícia, tudo isto se harmoniza bem.
Eu quero ver duendes em torno de mim porque sou valoroso. O valor que afugenta os fantasmas cria os seus próprios duendes: o valor quer rir.
Eu já não sinto em unísono convosco; essa nuvem que eu vejo abaixo de mim, esse negrume e carregamento de que me rio, é precisamente a vossa nuvem tempestuosa.
Vós olhais para cima quando aspirais a vos elevar. Eu, como estou alto, olho para baixo.
Qual de vós pode estar alto e rir ao mesmo tempo?
O que escala elevados montes ri-se de todas as tragédias da cena e da vida.
Valorosos, despreocupados, zombeteiros, violentos, eis como nos quer a sabedoria. É mulher e só lutadores podem amar.
Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?
A vida é uma carga pesada; mas não vos mostreis tão contristados. Todos somos jumentos carregados.
Que parecença temos com o cálice de rosa que treme porque o oprime uma gota de orvalho?
É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor.
Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.
E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.
Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções.
Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito do pesadelo. Por ele caem todas as coisas.
Não é com cólera, mas com riso que se mata. Adiante! matemos o espírito do pesadelo!
Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; por conseguinte não quero que me empurrem para mudar de sítio.

Agora sou leve, agora vôo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus”.


Assim falou Zaratustra - Nietzsche.